FSRS: como o algoritmo prevê o seu esquecimento e escolhe o dia certo de cada revisão
Este guia explica como o Meu Caderno Digital decide o dia em que cada pergunta volta para você. A explicação começa do zero. Você não precisa saber o que é flashcard, algoritmo ou aprendizado de máquina. Cada termo aparece explicado na primeira vez. Os exemplos usam um assunto que quase todo brasileiro conhece: Ayrton Senna.
1. O que é um flashcard
Um flashcard é um cartão com duas faces. A frente traz uma pergunta. O verso traz a resposta. Você lê a pergunta, tenta lembrar a resposta sem olhar e só depois vira o cartão. A palavra vem do inglês (flash quer dizer “relance” e card quer dizer “cartão”).
Experimente com o cartão abaixo. Leia a pergunta, responda na cabeça e depois toque no cartão para ver o verso.
Como foi lembrar? Escolha uma nota:
O esforço de tentar lembrar é a parte mais importante. Os psicólogos chamam esse esforço de prática de recuperação (recuperar é “puxar da memória”). Em 2006, Henry Roediger e Jeffrey Karpicke mostraram que estudantes que se testavam lembravam bem mais depois de uma semana do que estudantes que só reliam o texto 15. O flashcard é o jeito mais simples de se testar todos os dias.
Existe também o cartão de lacuna. Ele mostra uma frase com um pedaço escondido. Você precisa completar o pedaço que falta. Veja um exemplo:
Ayrton Senna morreu em , no Grande Prêmio de San Marino, no circuito de Ímola.
Tente completar a lacuna. Depois toque nela.No Meu Caderno Digital, os cartões nascem do seu resumo. Cada conceito pode virar uma pergunta, uma lacuna ou uma imagem com partes escondidas.
Do fácil ao difícil: uma pilha de cartões sobre Senna
Imagine uma pilha de cartões sobre Ayrton Senna. Alguns cartões são fáceis para qualquer brasileiro. Outros só um fã responde. A tabela mostra a pilha, do mais fácil para o mais difícil.
| Pergunta (frente) | Resposta (verso) | Quem acerta |
|---|---|---|
| Quem foi o maior piloto brasileiro da Fórmula 1? | Ayrton Senna | Quase todo mundo |
| Quantos títulos mundiais Senna conquistou? | Três | Muita gente |
| Em que anos Senna foi campeão? | 1988, 1990 e 1991 | Quem acompanha esporte |
| Por qual equipe Senna conquistou os três títulos? | McLaren | Quem acompanha Fórmula 1 |
| Quantos anos Senna tinha no primeiro título? | 28 anos (ele nasceu em 21 de março de 1960) | Fãs |
| Por qual equipe Senna estreou na Fórmula 1, em 1984? | Toleman | Fãs |
| Onde Senna venceu a primeira corrida? | No Grande Prêmio de Portugal de 1985, na chuva, pela Lotus | Fãs de verdade |
| Quantas vezes Senna venceu em Mônaco? | Seis (1987 e de 1989 a 1993) | Fãs de verdade |
Repare numa coisa. A primeira pergunta quase não precisa de revisão. A pergunta sobre Mônaco precisa de muitas revisões. Um calendário igual para todos os cartões desperdiça tempo nas perguntas fáceis e abandona as difíceis. O FSRS existe para resolver esse problema.
2. As quatro notas: Errei, Difícil, Bom e Fácil
Depois de virar o cartão, você dá uma nota para a sua lembrança. A nota não mede se você é bom aluno. A nota descreve como foi lembrar aquela resposta naquele momento.
- Errei Você não lembrou ou lembrou errado. Exemplo: a pergunta pede a primeira equipe de Senna, e você respondeu “Lotus” (a resposta certa é Toleman).
- Difícil Você lembrou, mas com muito esforço ou com dúvida. Exemplo: você demorou e chutou “acho que foram três títulos”.
- Bom Você lembrou com algum esforço normal. Exemplo: você pensou um pouco e respondeu “1988, 1990 e 1991”.
- Fácil A resposta veio na hora, sem esforço nenhum. Exemplo: “Quem foi o maior piloto brasileiro?” — “Senna”.
Cada nota muda o dia em que o cartão volta. No exemplo do cartão acima, “Fácil” manda o cartão para daqui a 16 dias. “Errei” traz o cartão de volta em 1 minuto. A seção 9 mostra a conta por trás desses números.
3. Por que a gente esquece
Em 1885, o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus fez um experimento consigo mesmo. Ele decorou listas de sílabas sem sentido (como “DAX” e “BUP”). Depois ele mediu quanto lembrava após minutos, horas e dias 1. O resultado ficou famoso como curva do esquecimento. A memória cai muito rápido nas primeiras horas. Depois ela cai cada vez mais devagar.
Em 2015, Jaap Murre e Joeri Dros, da Universidade de Amsterdã, repetiram o experimento com o mesmo método. A curva saiu muito parecida com a de Ebbinghaus 2. Ou seja: esquecer rápido é o normal. Não é falta de inteligência.
4. Revisão espaçada: o dia certo de revisar
Revisão espaçada é revisar com intervalos que crescem: hoje, daqui a alguns dias, daqui a algumas semanas. Em 2006, Nicholas Cepeda e colegas reuniram centenas de experimentos numa grande análise (os cientistas chamam isso de meta-análise). A conclusão foi clara: espaçar as revisões rende muito mais do que estudar tudo de uma vez na véspera 4. Em 2008, o mesmo grupo testou mais de 1.300 pessoas. O melhor intervalo dependia da data da prova: quanto mais longe a prova, maior o intervalo ideal 5.
Revisar também tem um momento bom. Pense no cartão “Em que anos Senna foi campeão?”.
- Cedo demais Você revisa no dia seguinte e ainda lembra tudo. O esforço é pequeno. O ganho também.
- Na hora certa Você revisa quando a lembrança começa a falhar. Lembrar dá trabalho, e esse trabalho deixa a memória mais forte.
- Tarde demais Você revisa depois de três meses. Você já esqueceu e precisa reaprender quase do zero.
Robert e Elizabeth Bjork, da Universidade da Califórnia, chamam esse esforço útil de dificuldade desejável. Segundo a teoria deles, lembrar uma coisa que já estava ficando fraca fortalece mais a memória do que lembrar uma coisa fresca 3. O FSRS tenta acertar exatamente esse ponto: o dia em que lembrar ainda é possível, mas já dá trabalho.
5. Do caderno de papel ao FSRS
Nos anos 1970, o jornalista alemão Sebastian Leitner popularizou um método com caixas de papelão. O cartão acertado ia para uma caixa revisada com menos frequência. O cartão errado voltava para a primeira caixa. O método funcionava, mas as caixas tinham intervalos fixos.
No fim dos anos 1980, o pesquisador polonês Piotr Woźniak criou o SuperMemo, um programa de computador para flashcards. O algoritmo dele, chamado SM-2, multiplicava o intervalo anterior por um “fator de facilidade”. Esse fator subia quando você acertava e descia quando você errava 6. O SM-2 foi o padrão do Anki (o app de flashcards mais usado do mundo) por muitos anos.
Um algoritmo é uma receita de passos que o computador segue para tomar uma decisão. O SM-2 era uma receita escrita à mão. Ele não calculava a chance de você lembrar. Ele só aplicava regras fixas.
Na década de 2010, os pesquisadores começaram a usar dados reais para criar as regras. Em 2016, Burr Settles e Brendan Meeder, do Duolingo, criaram um modelo que estima a “meia-vida” de cada palavra para cada aluno 8. Meia-vida é o tempo até a chance de lembrar cair pela metade. Em 2019, Behzad Tabibian e colegas trataram a escolha do momento da revisão como um problema de matemática de controle 9.
O FSRS (sigla em inglês para “agendador livre de repetição espaçada”) nasceu dessa linha de pesquisa. Em 2022, Junyao Ye, Jingyong Su e Yilong Cao publicaram o modelo na conferência KDD, uma das mais importantes de ciência de dados 10. Em 2023, o trabalho saiu ampliado numa revista científica da área 11. O código do FSRS é aberto (qualquer pessoa pode conferir as contas). A partir da versão 23.10, o Anki passou a oferecer o FSRS como agendador 12.
6. Três números para cada cartão
O FSRS descreve a sua memória de cada cartão com três números. Por isso o modelo também se chama DSR (as iniciais dos três). A ideia vem de estudos de Woźniak sobre os componentes da memória 7 e da teoria dos Bjork 3.
- D · Dificuldade (de 1 a 10) Quanto esse cartão é difícil para você. “Quem foi o maior piloto brasileiro?” tem dificuldade baixa. “Quantas vezes Senna venceu em Mônaco?” tende a ter dificuldade alta.
- S · Estabilidade (em dias) Quantos dias leva para a chance de lembrar cair de 100% para 90%. Estabilidade de 30 quer dizer: daqui a 30 dias, você ainda tem 90% de chance de lembrar.
- R · Recuperabilidade (de 0% a 100%) A chance de você lembrar agora. Ela cai a cada dia que passa sem revisão.
Os números D e S ficam guardados no cartão. Eles mudam a cada resposta sua. O número R é calculado na hora, a partir de S e dos dias que passaram.
7. A fórmula da curva do esquecimento
A fórmula abaixo calcula R, a chance de lembrar. Não se assuste com ela. Logo depois vem a mesma conta com números.
R = ( 1 + F × t ÷ S ) ^ (−0,5) F = 19 ÷ 81 ≈ 0,235
t é o número de dias desde a última revisão. S é a estabilidade. O sinal ^ quer dizer “elevado a”. Elevar a −0,5 é o mesmo que dividir 1 pela raiz quadrada.Exemplo com Senna. Você estudou o cartão “Em que anos Senna foi campeão?”. A estabilidade dele é de 4 dias. Quanto você lembra daqui a 8 dias?
- Divida os dias pela estabilidade: 8 ÷ 4 = 2.
- Multiplique por F: 0,235 × 2 = 0,47.
- Some 1: 1 + 0,47 = 1,47.
- Tire a raiz quadrada: √1,47 ≈ 1,21.
- Divida 1 pelo resultado: 1 ÷ 1,21 ≈ 0,825.
A chance de lembrar daqui a 8 dias é de cerca de 82%. No 4º dia (t igual a S), a mesma conta dá exatamente 90%. Esse é o motivo de F valer 19 ÷ 81: o valor faz a estabilidade virar “o dia em que a chance chega a 90%”.
Por que essa forma de curva, e não outra? A memória de muitas pessoas e de muitos assuntos esquece no formato de uma lei de potência: cai depressa no começo e muito devagar depois. John Wixted e Ebbe Ebbesen mostraram esse formato em 1991 13. A fórmula do FSRS-5 segue essa forma.
8. Da curva ao dia da revisão
Você escolhe uma retenção desejada: a chance de lembrar que você aceita ter no dia da revisão. No Meu Caderno Digital, o padrão é 90%. O FSRS faz a conta ao contrário. Ele procura o dia em que R vai cair até a sua meta.
intervalo = S ÷ F × ( 1 ÷ r² − 1 )
r é a retenção desejada, escrita como número (90% vira 0,9). O intervalo sai em dias.Exemplo com Senna. O cartão dos anos dos títulos tem estabilidade de 4,47 dias. Com meta de 90%:
- Eleve a meta ao quadrado: 0,9 × 0,9 = 0,81.
- Divida 1 pelo resultado e tire 1: (1 ÷ 0,81) − 1 ≈ 0,235.
- Multiplique por S ÷ F: 4,47 ÷ 0,235 × 0,235 ≈ 4,47.
O cartão volta em 4 dias. Com meta de 90%, o intervalo é sempre igual à estabilidade. Mude a meta e o intervalo muda junto:
| Retenção desejada | Cartão com S = 10 dias volta em |
|---|---|
| 80% | 24 dias |
| 85% | 16 dias |
| 90% | 10 dias |
| 95% | 5 dias |
| 97% | 3 dias |
A curva abaixo mostra o resultado na prática. Cada revisão leva a lembrança de volta para perto de 100%. Depois de cada revisão a queda fica mais lenta, e o cartão some por mais tempo.
9. O que muda depois de cada resposta
A primeira resposta
Na primeira vez, a nota define a estabilidade e a dificuldade iniciais. Os valores abaixo vêm dos parâmetros padrão do FSRS-5.
| Primeira nota | Estabilidade inicial | Dificuldade inicial | Exemplo de cartão |
|---|---|---|---|
| Errei | 0,4 dia | 7,2 | Primeira equipe de Senna (Toleman) |
| Difícil | 1,2 dia | 6,5 | Idade no primeiro título (28 anos) |
| Bom | 3,2 dias | 5,3 | Anos dos títulos (1988, 1990 e 1991) |
| Fácil | 15,7 dias | 3,2 | Maior piloto brasileiro (Senna) |
Quando você lembra
A nova estabilidade é a antiga multiplicada por um fator de crescimento. A fórmula completa é esta:
S novo = S × ( 1 + e^w8 × (11 − D) × S^(−w9) × ( e^(w10 × (1 − R)) − 1 ) × bônus )
Os w são parâmetros (números ajustados com dados, explicados na seção 10). O e é uma constante da matemática (vale cerca de 2,718). O bônus é menor que 1 para Difícil e maior que 1 para Fácil.A fórmula parece complicada, mas cada pedaço tem uma ideia simples. Veja com o cartão “Em que anos Senna foi campeão?” (estabilidade 4,47 e dificuldade 5,3):
- (11 − D): cartão difícil cresce mais devagar. Com dificuldade 5,3, o pedaço vale 5,7. Com dificuldade 8, ele vale só 3. A pergunta sobre Mônaco (difícil para quase todo mundo) cresce mais devagar do que a pergunta sobre o maior piloto.
- S^(−w9): quanto mais firme, menor o salto. Uma lembrança de 4 dias pode triplicar. Uma lembrança de 100 dias cresce menos de 3 vezes. A memória tem um teto natural.
- e^(w10 × (1 − R)) − 1: lembrar com esforço rende mais. Esse pedaço cresce quando R está mais baixo. É a dificuldade desejável dos Bjork transformada em conta.
Os números mostram o efeito. O mesmo cartão, revisado em três momentos diferentes e respondido com “Bom”:
| Quando você revisou | Chance de lembrar naquele dia | Nova estabilidade |
|---|---|---|
| No 4º dia (na hora certa) | 90% | 15 dias |
| No 11º dia (atrasado) | 80% | 27 dias |
| Bem mais tarde | 70% | 40 dias |
Então vale a pena atrasar de propósito? Não. A tabela só mostra os casos em que você acertou. Quanto mais você atrasa, maior é a chance de errar. E o erro custa caro, como mostra o próximo trecho.
Quando você erra
A estabilidade cai, mas não volta a zero. O que você já tinha aprendido ajuda a reaprender. Um cartão com estabilidade de 20 dias e dificuldade 5, por exemplo, cai para cerca de 3 dias depois de um erro. O cartão volta em 10 minutos para você fixar de novo.
A dificuldade também muda. Ela sobe a cada erro e desce a cada acerto fácil. O FSRS sempre puxa a dificuldade um pouco para o meio. Assim, um dia ruim não marca o cartão para sempre.
10. Onde entra o aprendizado de máquina
As fórmulas do FSRS-5 têm 19 parâmetros, os w. Eles dizem, por exemplo, quanto a estabilidade cresce num acerto e quanto um erro custa. Ninguém escolheu esses números no chute. Eles foram aprendidos a partir de dados. Isso é o que os cientistas chamam de aprendizado de máquina: o computador ajusta números para que uma fórmula acerte as previsões.
O treino funciona em quatro passos:
- Juntar exemplos. Cada revisão registrada vira um exemplo: o histórico do cartão, os dias que passaram e o resultado (lembrou ou esqueceu). O projeto aberto do FSRS usa centenas de milhões de revisões reais de estudantes.
- Prever. Para cada exemplo, o modelo calcula a chance de lembrar. Exemplo: “o estudante tem 85% de chance de lembrar a equipe da estreia de Senna hoje”.
- Medir o erro. O modelo compara a previsão com o que aconteceu. Se ele deu 85% e o estudante errou, a previsão estava otimista demais.
- Ajustar. Um método chamado descida do gradiente muda os 19 números um pouquinho de cada vez. A direção da mudança é sempre a que diminui o erro. O processo se repete milhões de vezes.
Como o modelo mede o erro? Ele usa uma conta chamada perda logarítmica (em inglês, log loss):
perda = − média de [ y × ln(R) + (1 − y) × ln(1 − R) ]
y vale 1 quando a pessoa lembrou e 0 quando esqueceu. ln é o logaritmo natural, uma função que fica muito negativa para números perto de zero.A ideia por trás da conta é simples. O modelo leva uma “multa” a cada previsão. A multa é pequena quando ele acerta com confiança. A multa é enorme quando ele erra com confiança. Veja com o cartão da estreia de Senna:
| Previsão do modelo | O que aconteceu | Multa |
|---|---|---|
| 95% de chance de lembrar | Lembrou | 0,05 (quase nada) |
| 95% de chance de lembrar | Esqueceu | 3,0 (muito alta) |
| 60% de chance de lembrar | Lembrou | 0,51 |
| 60% de chance de lembrar | Esqueceu | 0,92 |
Um bom modelo também precisa ser calibrado. Calibrado quer dizer: entre todos os cartões a que ele deu 90%, cerca de 90 em cada 100 são lembrados de verdade. Cada revisão funciona como o lançamento de uma moeda viciada. A chance de dar “lembrou” é R. Uma moeda isolada não diz muita coisa. Milhões de moedas mostram se as chances estavam certas.
O projeto aberto mantém um comparativo público chamado srs-benchmark. Ele mede a perda logarítmica e a calibração de vários agendadores com os mesmos dados. Nesse comparativo, o FSRS erra bem menos do que o SM-2 e do que o modelo do Duolingo 14.
11. Quanto revisar: a retenção desejada
Prever a memória é metade do trabalho. A outra metade é decidir quanto revisar. No artigo da KDD, Ye e colegas trataram o estudo como um problema de caminho mais curto 10. Pense num mapa. Cada revisão é um passo e custa um pouco do seu tempo. O destino é uma memória firme. O objetivo é chegar lá com o menor número de passos. O artigo mostrou que esse cálculo reduz o tempo total de revisão em comparação com as regras fixas.
No dia a dia, essa escolha aparece na retenção desejada. O gráfico mostra o custo de cada meta para um único cartão ao longo de um ano.
Meta baixa demais faz você esquecer muito e reaprender muito. Meta alta demais multiplica as revisões. Para a maioria das pessoas, valores entre 85% e 95% equilibram as duas coisas. O próprio projeto do FSRS recomenda começar com 90% 12.
12. Como o Meu Caderno Digital usa tudo isso
- FSRS-5 com os parâmetros padrão. O app usa as fórmulas do FSRS-5 e os 19 parâmetros treinados pelo projeto aberto. A dificuldade e a estabilidade de cada cartão mudam a cada resposta sua.
- Flashcards e questões. As duas filas seguem o FSRS. Cada flashcard e cada questão tem a própria curva.
- Você escolhe a retenção. Nas configurações, a meta de retenção muda todos os intervalos dali para a frente. O padrão é 90%.
- Os botões mostram o futuro. Antes de responder, cada botão mostra quando o cartão volta.
- Primeiros passos curtos. Um cartão novo ou esquecido volta em minutos (1, 5 ou 10) até firmar. Só depois ele passa a ganhar dias.
- Dias de folga respeitados. Nos dias desmarcados, nada é cobrado. A revisão desse dia vai para o dia de estudo mais próximo.
- Metas por dia. Você define quantos cartões novos entram por dia e, se quiser, um limite de revisões.
13. O que o FSRS não faz
O FSRS calcula chances. Ele não garante que você vai lembrar de tudo. Ele também não substitui entender o conteúdo. Três cuidados ajudam a previsão a funcionar:
- Responda com honestidade. A nota é o dado que alimenta o modelo. Se você marca “Bom” quando quase errou, o cartão some por tempo demais.
- Use “Fácil” com moderação. O “Fácil” aumenta muito a estabilidade. Guarde essa nota para respostas que vieram na hora, sem esforço.
- Revise com constância. O modelo aceita atrasos e recalcula as datas. A memória, porém, não espera. Poucas revisões todos os dias rendem mais do que muitas revisões uma vez por semana.
Com esses cuidados, o FSRS faz a parte que o cérebro não consegue fazer sozinho: acompanhar a curva de cada um dos seus cartões e chamar cada um no dia certo.
Referências
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- Murre, J. M. J., & Dros, J. (2015). Replication and analysis of Ebbinghaus’ forgetting curve. PLOS ONE, 10(7), e0120644. doi:10.1371/journal.pone.0120644
- Bjork, R. A., & Bjork, E. L. (1992). A new theory of disuse and an old theory of stimulus fluctuation. Em A. Healy, S. Kosslyn & R. Shiffrin (Orgs.), From learning processes to cognitive processes: Essays in honor of William K. Estes (v. 2, p. 35–67). Erlbaum. https://cir.nii.ac.jp/crid/1370004239465659018
- Cepeda, N. J., Pashler, H., Vul, E., Wixted, J. T., & Rohrer, D. (2006). Distributed practice in verbal recall tasks: A review and quantitative synthesis. Psychological Bulletin, 132(3), 354–380. doi:10.1037/0033-2909.132.3.354
- Cepeda, N. J., Vul, E., Rohrer, D., Wixted, J. T., & Pashler, H. (2008). Spacing effects in learning: A temporal ridgeline of optimal retention. Psychological Science, 19(11), 1095–1102. doi:10.1111/j.1467-9280.2008.02209.x
- Woźniak, P. A., & Gorzelańczyk, E. J. (1994). Optimization of repetition spacing in the practice of learning. Acta Neurobiologiae Experimentalis, 54, 59–62. https://ane.pl/index.php/ane/article/view/1003
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- Settles, B., & Meeder, B. (2016). A trainable spaced repetition model for language learning. Proceedings of the 54th Annual Meeting of the Association for Computational Linguistics, 1848–1858. doi:10.18653/v1/P16-1174
- Tabibian, B., Upadhyay, U., De, A., Zarezade, A., Schölkopf, B., & Gomez-Rodriguez, M. (2019). Enhancing human learning via spaced repetition optimization. Proceedings of the National Academy of Sciences, 116(10), 3988–3993. doi:10.1073/pnas.1815156116
- Ye, J., Su, J., & Cao, Y. (2022). A stochastic shortest path algorithm for optimizing spaced repetition scheduling. Proceedings of the 28th ACM SIGKDD Conference on Knowledge Discovery and Data Mining, 4381–4390. doi:10.1145/3534678.3539081
- Su, J., Ye, J., Nie, L., Cao, Y., & Chen, Y. (2023). Optimizing spaced repetition schedule by capturing the dynamics of memory. IEEE Transactions on Knowledge and Data Engineering, 35(10), 10085–10097. doi:10.1109/TKDE.2023.3251721
- Open Spaced Repetition. The FSRS algorithm (documentação do projeto aberto). https://github.com/open-spaced-repetition/fsrs4anki/wiki/The-Algorithm
- Wixted, J. T., & Ebbesen, E. B. (1991). On the form of forgetting. Psychological Science, 2(6), 409–415. doi:10.1111/j.1467-9280.1991.tb00175.x
- Open Spaced Repetition. srs-benchmark: a benchmark for spaced repetition schedulers. https://github.com/open-spaced-repetition/srs-benchmark
- Roediger, H. L., & Karpicke, J. D. (2006). Test-enhanced learning: Taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3), 249–255. doi:10.1111/j.1467-9280.2006.01693.x
Este artigo tem caráter informativo e resume pesquisas publicadas. Os resultados citados foram obtidos nas condições de cada estudo.
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